A
SANTA MISSA PARTE A PARTE
A) Ritos iniciais
1. Os ritos que precedem a liturgia da palavra
– entrada, saudação, acto penitencial, Kýrie
(Senhor, tende piedade de nós), Glória e Oração
colecta (pedir esmola) – têm o carácter de
introdução, preparação ou exórdio.
É sua finalidade estabelecer a comunhão entre
os fiéis reunidos e dispô-los para ouvirem devidamente
a palavra de Deus e celebrarem dignamente a Eucaristia. Em algumas
celebrações que, segundo as normas dos livros
litúrgicos, se ligam à Missa, os ritos iniciais
omitem-se ou realizam-se de modo específico.
Entrada
2. Reunido o povo, enquanto entra o sacerdote
com o diácono e os ministros, inicia-se o cântico
de entrada. A finalidade deste cântico é dar início
à celebração, favorecer a união
dos fiéis reunidos e introduzi-los no mistério
do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar
a procissão de entrada do sacerdote e dos ministros.
3. O cântico de entrada é executado
alternadamente pela schola (coro) e pelo povo, ou por um cantor
alternando como povo, ou por toda a assembleia em conjunto,
ou somente pela schola. Pode utilizar-se ou a antífona
com o respectivosalmo que vem no Gradual Romano ou no Gradual
simples, ou outro cântico apropriado à acção
sagrada ou ao carácter do dia ou do tempo, cujo texto
tenha a aprovação da Conferência Episcopal.
Se não há cântico de entrada, recita-se
a antífona que vem no Missal, ou por todos os fiéis,
ou por alguns deles, ou por um leitor; ou então pelo
próprio sacerdote, que também pode adaptá-la
à maneira de admonição inicial (cf. n.
31).
Saudação
do altar e da assembleia
4. Chegados ao presbitério, o sacerdote,
o diácono e os ministros saúdam o altar com inclinação
profunda.Em sinal de veneração, o sacerdote e
o diácono beijam então o altar; e, se for oportuno,
o sacerdote incensa a cruz e o altar.
5. Terminado o cântico de entrada, o
sacerdote, de pé junto da cadeira, e toda a assembleia
fazem sobre si próprios o sinal da cruz; em seguida,
pela saudação, faz sentir à comunidade
reunida a presença do Senhor. Com esta saudação
ea resposta do povo manifesta-se o mistério da Igreja
reunida. Depois da saudação do povo, o sacerdote,
ou o diácono, ou outro ministro, pode, com palavras muito
breves, introduzir os fiéis na Missa do dia.
Acto penitencial
6. Em seguida, o sacerdote convida ao acto
penitencial, o qual, após uma breve pausa de silêncio,
é feito por toda acomunidade com uma fórmula de
confissão geral e termina com a absolvição
do sacerdote; esta absolvição, porém,carece
da eficácia do sacramento da penitência. Ao domingo,
principalmente no tempo pascal, em vez do costumado acto penitencial
pode fazer-se, por vezes, a bênçãoe a aspersão
da água em memória do baptismo.
Kýrie,
eleison (Senhor, tende piedade de nós)
7. Depois do acto penitencial, diz-se sempre
o Senhor, tende piedade de nós (Kýrie, eléison),
a não ser que já tenha sido incluído no
acto penitencial. Dado tratar-se de um canto em que os fiéis
aclamam o Senhor e imploram a suamisericórdia, é
normalmente executado por todos, em forma alternada entre o
povo e a schola ou um cantor.Cada uma das aclamações
diz-se normalmente duas vezes, o que não exclui, porém,
um maior número, de acordo com a índole de cada
língua, da arte musical ou das circunstâncias.
Quando o Kýrie é cantado como parte do acto penitencial,
cada aclamação é precedida de um «tropo».
Glória
in excelsis
8. O Glória é um antiquíssimo
e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito
Santo, glorifica e suplica aDeus e ao Cordeiro. Não é
permitido substituir o texto deste hino por outro. É
começado pelo sacerdote ou, se for oportuno, por um cantor,
ou pela schola, e é cantado ou por todos em conjunto,
ou pelo povo alternando com a schola, ou só pela schola.
Se não é cantado, é recitado ou por todos
em conjunto ou por dois coros alternadamente. Canta-se ou recita-se
nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades
e festas, e em particulares celebrações mais solenes.
Oração
colecta
9. Em seguida, o sacerdote convida o povo à
oração; e todos, juntamente com ele, se recolhem
uns momentos em silêncio, a fim de tomarem consciência
de que se encontram na presença de Deus e poderem formular
interiormente assuas intenções. Então o
sacerdote diz a oração que se chama «colecta»,
pela qual se exprime o carácter da celebração.
Segundo a tradição antiga da Igreja, a oração
dirige-se habitualmente a Deus Pai, por Cristo, no Espírito
Santo, e termina com a conclusão trinitária, isto
é, a mais longa, deste modo:
se é dirigida ao Pai: Per Dóminum
nostrum Iesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et
regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia
sáecula saeculórum;
– se é dirigido ao Pai, mas no fim é
mencionado o Filho: Qui tecum vivit et regnat in unitate
Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum;
– se é dirigido ao Filho: Qui vivis et
regnas cum Deo Patre in unitate Spíritus Sancti, Deus,
per omnia sáecula saeculórum.
O povo associa-se
a esta súplica e faz sua a oração pela
aclamação Amen.
Na Missa diz-se sempre uma só oração colecta.
* Com a aprovação da Sé Apostólica,
nos países de língua portuguesa as orações
concluem todas do mesmo modo:
– se é dirigida ao Pai: Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo;
– se é dirigido ao Pai, mas no fim é
mencionado o Filho: Ele que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo;
– se é dirigido ao Filho: Vós
que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
B) Liturgia da palavra
10.
A parte principal da liturgia da palavra é constituída
pelas leituras da Sagrada Escritura com os cânticosintercalares.
São seu desenvolvimento e conclusão a homilia,
a profissão de fé e a oração universal
ou oração dos fiéis. Nas leituras, comentadas
pela homilia, Deus fala ao seu povo, revela-lhe o mistério
da redenção e salvação e oferece-lhe
o alimento espiritual. Pela sua palavra, o próprio Cristo
está presente no meio dos fiéis. O povo faz suaesta
palavra divina com o silêncio e com os cânticos
e a ela adere com a profissão de fé. Assim alimentado,
eleva a Deus as suas preces na oração universal
pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação
do mundo inteiro.
Silêncio
11. A liturgia da palavra deve ser celebrada
de modo a favorecer a meditação. Deve, por isso,
evitar-secompletamente qualquer forma de pressa que impeça
o recolhimento. Haja nela também breves momentos de silêncio,
adaptados à assembleia reunida, nos quais, com a ajuda
do Espírito Santo, a Palavra de Deus possa ser interiorizada
e se prepare a resposta pela oração. Pode ser
oportuno observar estes momentos de silêncio depois da
primeira e dasegunda leitura e, por fim, após a homilia.
Leituras bíblicas
12.
Nas leituras põe-se aos fiéis a mesa da palavra
de Deus e abrem-se-lhes os tesouros da Bíblia. Convém,
por isso, observar uma disposição das leituras
bíblicas que ilustre a unidade de ambos os Testamentos
e da história dasalvação; não é
lícito substituir as leituras e o salmo responsorial,
que contêm a palavra de Deus, por outros textos não
bíblicos.
12a.
Na celebração da Missa com o povo, as leituras
proclamam-se sempre do ambão.
13.
Segundo a tradição, a função
de proferir as leituras não é presidencial, mas
sim ministerial. Por isso as leituras são proclamadas
por um leitor, mas o Evangelho é anunciado pelo diácono
ou por outro sacerdote. Se, porém, não estiver
presente o diácono nem outro sacerdote, leia o Evangelho
o próprio sacerdote celebrante; e se também faltar
outro leitor idóneo o sacerdote celebrante proclame igualmente
as outras leituras. Depois de cada leitura, aquele que a lê
profere a aclamação; ao responder-lhe, o povo
reunido presta homenagem àpalavra de Deus, recebida com
fé e espírito agradecido.
14.
A leitura do Evangelho constitui o ponto culminante
da liturgia da palavra. Deve ser-lhe atribuída a maior
veneração. Assim o mostra a própria Liturgia,
distinguindo esta leitura das outras com honras especiais, quer
por partedo ministro encarregado de a anunciar e pela bênção
e oração com que se prepara para o fazer, quer
por parte dos fiéis que, com as suas aclamações,
reconhecem e confessam que é Cristo presente no meio
deles quem lhes fala, e, por isso, escutam a leitura de pé;
quer ainda pelos sinais de veneração ao próprio
Evangeliário.
Salmo
responsorial
15.
A primeira leitura é seguida do salmo responsorial,
que é parte integrante da liturgia da palavra e tem,
por si mesmo, grande importância litúrgica e pastoral,
pois favorece a meditação da Palavra de Deus.
O salmo responsorial corresponde a cada leitura e habitualmente
toma-se do Leccionário. Convém que o salmo responsorial
seja cantado, pelo menos no que se refere à resposta
do povo. O salmista ou cantor do salmo, do ambão ou de
outro sítio conveniente, recita os versículos
do salmo; toda a assembleia escuta sentada, ou, de preferência,
nele participa do modo costumado com o refrão, a não
ser que o salmo seja recitado todo seguido, sem refrão.
Todavia, para facilitar ao povo a resposta salmódica
(refrão), fez-se, para os diferentes tempos e as váriascategorias
de Santos, uma selecção de responsórios
e salmos, que podem ser utilizados, em vez do texto correspondente
à leitura, quando o salmo é cantado. Se o salmo
não puder ser cantado, recita-se do modo mais indicado
para favorecer a meditação da palavra de Deus.
Em vez do salmo que vem indicado no Leccionário, também
se pode cantar ou o responsório gradual tirado do Gradual
Romano ou um salmo responsorial ou aleluiático do Gradual
simples, na forma indicada nestes livros.
Aclamação antes da leitura do Evangelho
16.
Depois da leitura, que precede imediatamente o Evangelho, canta-se
o Aleluia ou outro cântico, indicado pelas rubricas, conforme
o tempo litúrgico. Deste modo a aclamação
constitui um rito ou um acto com valor por si próprio,
pelo qual a assembleia dos fiéis acolhe e saúda
o Senhor, que lhe vai falar no Evangelho, e professa a sua fé
por meio do canto. É cantada por todos de pé,
iniciada pela schola ou por um cantor, e pode-se repetir, se
for conveniente; mas o versículo é cantado pela
schola ou pelo cantor.
a) O Aleluia canta-se em todos os tempos fora
da Quaresma. Os versículos tomam-se do Leccionário
ou do Gradual;
b) Na Quaresma, em vez do Aleluia canta-se
o versículo antes do Evangelho que vem no Leccionário.
Também se podecantar outro salmo ou tracto, como se indica
no Gradual.
17.
No caso de haver uma só leitura antes do Evangelho:
a) nos tempos em que se diz Aleluia, pode escolher-se
ou o salmo aleluiático, ou o salmo e o Aleluia com o
seu versículo;
b) no tempo em que não se diz Aleluia,
pode escolher-se ou o salmo e o versículo antes do Evangelho
ou apenas o salmo.
c) O Aleluia ou o versículo antes do
Evangelho, se não são cantados, podem omitir-se.
18.
A sequência, que excepto nos dias da Páscoa e do
Pentecostes é facultativa, canta-se depois do Aleluia.
Homilia
19.
A homilia é parte da liturgia e muito recomendada: é
um elemento necessário para alimentar a vida cristã.
Deve ser a explanação de algum aspecto das leituras
da Sagrada Escritura ou de algum texto do Ordinário ou
do Próprio da Missa do dia, tendo sempre em conta o mistério
que se celebra, bem como as necessidades peculiares dos ouvintes.
20.
Habitualmente a homilia deve ser feita pelo sacerdote celebrante
ou por um sacerdote concelebrante, por ele encarregado, ou algumas
vezes, se for oportuno, também por um diácono,
mas nunca por um leigo. Em casos especiais e por justa causa,
a homilia também pode ser feita, por um Bispo ou presbítero
que se encontra na celebraçãomas sem poder concelebrar.
Nos domingos e festas de preceito, deve haver homilia em todas
as Missas celebradas com participação do povo,
e não pode omitir-se senão por causa grave. Além
disso, é recomendada, particularmente nos dias feriais
do Advento,Quaresma e Tempo Pascal, e também noutras
festas e ocasiões em que é maior a afluência
do povo à Igreja. Depois da homilia, observe-se oportunamente
um breve espaço de silêncio.
Profissão
de fé
21.
O símbolo, ou profissão de fé, tem como
finalidade permitir que todo o povo reunido, responda à
palavra de Deus anunciada nas leituras da sagrada Escritura
e exposta na homilia, e que, proclamando a regra da fé,
segundo a fórmula aprovada para o uso litúrgico,
recorde e professe os grandes mistérios da fé,
antes de começarem a ser celebrados na Eucaristia.
22. O símbolo deve ser cantado ou recitado
pelo sacerdote juntamente com o povo, nos domingos e nas solenidades.
Pode também dizer-se em celebrações especiais
mais solenes. Se é cantado, é começado
pelo sacerdote ou, se for o caso, por um cantor, ou pela schola;
cantam-no todos em conjunto ou o povo alternando com a schola.
Se não é cantado, deve ser recitado conjuntamente
por todos ou por dois coros alternadamente.
Oração
universal
23.
Na oração universal ou oração
dos fiéis, o povo responde, de algum modo à palavra
de Deus recebida na fé e,exercendo a função
do seu sacerdócio baptismal, apresenta preces a Deus
pela salvação de todos. Convém que em todas
as Missas com participação do povo se faça
esta oração, na qual se pede pela santa Igreja,
pelos governantes, pelos que se encontram em necessidade, por
todos os homens em geral e pela salvação do mundo
inteiro.
24.
Normalmente a ordem das intenções é a seguinte:
a) pelas necessidades da Igreja;
b) pelas autoridades civis e pela salvação
do mundo;
c) por aqueles que sofrem dificuldades;
d) pela comunidade local.
Em celebrações
especiais – por exemplo, Confirmação, Matrimónio,
Exéquias – a ordem das intenções
pode acomodar-se às circunstâncias.
25.
Compete ao sacerdote celebrante dirigir da sede esta
prece. Ele próprio a introduz com uma breve admonição,
na qual convida os fiéis a orar, e a conclui com uma
oração. As intenções que se propõem,
formuladas de forma sóbria, com sábia liberdade
e em poucas palavras, devem exprimir a súplica de toda
a comunidade. Habitualmente são enunciadas do ambão
ou de outro lugar conveniente, por um diácono, por um
cantor, por um leitor, ou por um fiel leigo[68]. O povo, de
pé, faz suas estas súplicas, ou com uma invocação
comum proferida depois de cada intenção, ou orando
emsilêncio.
C) Liturgia eucarística
26. Na última
Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e banquete pascal,
por meio do qual, todas as vezes que o sacerdote,representando
a Cristo Senhor, faz o mesmo que o Senhor fez e mandou aos discípulos
que fizessem em sua memória,se torna continuamente presente
o sacrifício da cruz.
Cristo tomou
o pão e o cálice, pronunciou a acção
de graças, partiu o pão e deu-o aos seus discípulos,
dizendo: «Tomai, comei, bebei: isto é o meu Corpo;
este é o cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória
de Mim». Foi a partir destaspalavras e gestos de Cristo
que a Igreja ordenou toda a celebração da liturgia
eucarística. Efectivamente:
1) Na
preparação dos dons, levam-se ao altar o pão
e o vinho com água, isto é, os mesmos elementos
que Cristo tomou em suas mãos.
2) Na Oração eucarística,
dão-se graças a Deus por toda a obra da salvação,
e as oblatas convertem-se no Corpo e Sangue de Cristo.
3) Pela fracção do pão
e pela Comunhão, os fiéis, embora muitos, recebem,
de um só pão, o Corpo e Sangue do Senhor, do mesmo
modo que os Apóstolos o receberam das mãos do
próprio Cristo.
Preparação
dos dons
27.
A iniciar a liturgia eucarística, levam-se para
o altar os dons, que se vão converter no Corpo e Sangue
de Cristo. Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor,
que é o centro de toda a liturgia eucarística;
nele se dispõem o corporal, o purificador (ou sanguinho),
o Missal e o cálice, salvo se este for preparado na credência.Em
seguida são trazidas as oferendas. É de louvar
que o pão e o vinho sejam apresentados pelos fiéis.
Recebidos pelosacerdote ou pelo diácono em lugar conveniente,
são depois levados para o altar. Embora, hoje em dia,
os fiéis já não tragam do seu próprio
pão e vinho, como se fazia noutros tempos, no entanto
o rito desta apresentação conserva ainda valor
e significado espiritual. Além do pão e do vinho,
são permitidas ofertas em dinheiro e outros dons, destinados
aos pobres ou à Igreja, e tanto podem ser trazidos pelos
fiéis como recolhidos dentro da Igreja. Estes dons serão
dispostos em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.
28.
A procissão em que se levam os dons é
acompanhada do cântico do ofertório (cf. n. 37,
b), que se prolonga pelo menos até que os dons tenham
sido depostos sobre o altar. As normas para a execução
deste cântico são idênticas àsque
foram dadas para o cântico de entrada (cf. n. 48). O rito
do ofertório pode ser sempre acompanhado de canto.
29.
O pão e o vinho são depostos sobre o altar pelo
sacerdote, acompanhados das fórmulas prescritas. O sacerdote
pode incensar os dons colocados sobre o altar, depois a cruz
e o próprio altar. Deste modo se pretende significar
que aoblação e oração da Igreja
se elevam, como fumo de incenso, à presença de
Deus. Depois o sacerdote, por causa do sagrado ministério,
e o povo, em razão da dignidade baptismal, podem ser
incensados pelo diácono ou por outro ministro.
30.
A seguir, o sacerdote lava as mãos, ao lado do altar:
com este rito se exprime o desejo de uma purificação
interior.
Oração
sobre as oblatas
31.
Depostas as oblatas sobre o altar e realizados os ritos concomitantes,
o sacerdote convida os fiéis a orarjuntamente consigo
e recita a oração sobre as oblatas. Assim termina
a preparação dos dons e tudo está preparado
para a Oração eucarística.
Na Missa diz-se
uma só oração sobre as oblatas, que termina
com a conclusão breve, isto é: Per Christum Dóminum
nostrum; se no fim da oração se menciona o Filho,
diz-se: Qui vivit et regnat in sáecula saeculórum.
Oração
eucarística
32.
Inicia-se então o momento central e culminante
de toda a celebração, a Oração eucarística,
que é uma oração deacção
de graças e de consagração. O sacerdote
convida o povo a elevar os corações para o Senhor,
na oração e na acção de graças,
e associa-o a si na oração que ele, em nome de
toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo no Espírito
Santo. O sentido desta oração é que toda
a assembleia dos fiéis se una a Cristo na proclamação
das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício.
33.
Como elementos principais da Oração eucarística
podem enumerar-se os seguintes:
a) Acção de graças (expressa
de modo particular no Prefácio): em nome de todo o povo
santo, o sacerdote glorifica aDeus Pai e dá-Lhe graças
por toda a obra da salvação ou por algum dos seus
aspectos particulares, conforme o dia, afesta ou o tempo litúrgico.
b) Aclamação: toda a assembleia,
em união com os coros celestes, canta o Sanctus (Santo).
Esta aclamação, que faz parte da Oração
eucarística, é proferida por todo o povo juntamente
com o sacerdote.
c) Epiclese: consta de invocações
especiais, pelas quais a Igreja implora o poder do Espírito
Santo, para que os dons oferecidos pelos homens sejam consagrados,
isto é, se convertam no Corpo e Sangue de Cristo; e para
que a hóstia imaculada, que vai ser recebida na Comunhão,
opere a salvação daqueles que dela vão
participar.
d) Narração da instituição
e consagração: mediante as palavras e gestos de
Cristo, realiza-se o sacrifício que o próprio
Cristo instituiu na última Ceia, quando ofereceu o seu
Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho
e os deu a comer e a beber aos Apóstolos, ao mesmo tempo
que lhes confiou o mandato de perpetuar este mistério.
e) Anamnese: em obediência a este mandato,
recebido de Cristo Senhor através dos Apóstolos,
a Igreja celebra a memória do mesmo Cristo, recordando
de modo particular a sua bem-aventurada paixão, gloriosa
ressurreição e ascensão aos Céus.
f) Oblação: neste memorial, a
Igreja, de modo especial aquela que nesse momento e nesse lugar
está reunida, oferece a Deus Pai, no Espírito
Santo, a hóstia imaculada. A Igreja deseja que os fiéis
não somente ofereçam a hóstiaimaculada,
mas aprendam a oferecer-se também a si mesmos e, por
Cristo mediador, se esforcem por realizar dedia para dia a unidade
perfeita com Deus e entre si, até que finalmente Deus
seja tudo em todos.
g) Intercessões: por elas se exprime
que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda
a Igreja, tanto do Céu como da terra, e que a oblação
é feita em proveito dela e de todos os seus membros,
vivos e defuntos, chamados todos a tomar parte na redenção
e salvação adquirida pelo Corpo e Sangue de Cristo.
h) Doxologia final: exprime a glorificação
de Deus e é ratificada e concluída pela aclamação
Amen do povo.
Rito da Comunhão
34.
A celebração eucarística é um banquete
pascal. Convém, por isso, que os fiéis, devidamente
preparados, nelarecebam, segundo o mandato do Senhor, o seu
Corpo e Sangue como alimento espiritual. É esta a finalidade
da fracção e dos outros ritos preparatórios,
que dispõem os fiéis, de forma mais imediata,
para a Comunhão.
Oração
dominical
35.
Na Oração dominical pede-se o pão
de cada dia, que para os cristãos evoca principalmente
o pão eucarístico; igualmente se pede a purificação
dos pecados, de modo que efectivamente “as coisas santas
sejam dadas aos santos”. O sacerdote formula o convite
à oração, que todos os fiéis recitam
juntamente com ele. Então o sacerdote diz sozinho o embolismo,
que o povo conclui com uma doxologia. O embolismo é o
desenvolvimento da última petição da oraçãodominical;
nele se pede para toda a comunidade dos fiéis a libertação
do poder do mal.
O convite, a oração, o embolismo e a doxologia
conclusiva dita pelo povo, devem ser cantados ou recitados em
voz alta.
Rito
da paz
36.
Segue-se o rito da paz, no qual a Igreja implora a paz e a unidade
para si própria e para toda a família humana,
e os féis exprimem uns aos outros a comunhão eclesial
e a caridade mútua, antes de comungarem no Sacramento.
Quanto ao próprio sinal com que se dá a paz, as
Conferências Episcopais determinarão como se há-de
fazer, tendo em conta a mentalidade e os costumes dos povos.
Mas é conveniente que cada um dê a paz com sobriedade
apenas aos que estão mais perto de si.
Fracção
do pão
37.
O sacerdote parte o pão eucarístico. O gesto da
fracção, praticado por Cristo na última
Ceia, e que serviu paradesignar, nos tempos apostólicos,
toda a acção eucarística, significa que
os fiéis, apesar de muitos, se tornam um só Corpo,
pela Comunhão do mesmo pão da vida que é
Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do
mundo (1 Cor 10, 17). A fracção começa
depois de se dar a paz e realiza-se com a devida reverência,
mas não se deve prolongar desnecessariamente nem se lhe
deve atribuir uma importância excessiva. Este rito é
reservado ao sacerdote e ao diácono.
Enquanto o sacerdote parte o pão e deita uma parte da
hóstia no cálice, a schola ou um cantor canta
ou pelo menos recita em voz alta a invocação Cordeiro
de Deus, a que todo o povo responde. A invocação
acompanha a fracção do pão, pelo que pode
repetir-se o número de vezes que for preciso, enquanto
durar o rito. Na última vez conclui-se com as palavras:
Dai-nos a paz.
Comunhão
38.
O sacerdote prepara-se para receber frutuosamente o Corpo e
Sangue de Cristo rezando uma oração em silêncio.
Os fiéis fazem o mesmo orando em silêncio. Depois
o sacerdote mostra aos fiéis o pão eucarístico
sobre a patena ou sobre o cálice e convida-os para o
banquete deCristo; e, juntamente com os fiéis, faz um
acto de humildade, utilizando as palavras evangélicas
prescritas.
39.
É muito para desejar que os fiéis, tal como o
sacerdote é obrigado a fazer, recebam o Corpo do Senhor
com hóstias consagradas na própria Missa e, nos
casos previstos, participem do cálice, para que a Comunhão
semanifeste, de forma mais clara, nos próprios sinais,
como participação no sacrifício que está
a ser celebrado.
40.
Enquanto o sacerdote toma o Sacramento, dá-se início
ao cântico da Comunhão, que deve exprimir, com
aunidade das vozes, a união espiritual dos comungantes,
manifestar a alegria do coração e realçar
melhor o carácter «comunitário» da
procissão daqueles que vão receber a Eucaristia.
O cântico prolonga-se enquanto se ministra aos fiéis
o Sacramento. Se se canta um hino depois da Comunhão,
o cântico da Comunhão deve terminar a tempo. Procure-se
que também os cantores possam comungar comodamente.
41.
Como cântico da Comunhão pode utilizar-se ou a
antífona indicada no Gradual Romano, com ou sem o salmo
correspondente, ou a antífona do Gradual simples com
o respectivo salmo, ou outro cântico apropriado aprovado
pelaConferência Episcopal. Pode ser cantado ou só
pela schola, ou pela schola ou por um cantor juntamente com
o povo. Se, porém, não se canta, a antífona
que vem no Missal pode ser recitada ou pelos fiéis, ou
por alguns deles, ou por um leitor, ou então pelo próprio
sacerdote depois de ter comungado e antes de dar a Comunhão
aos fiéis.
42. Terminada a distribuição
da Comunhão, o sacerdote e os fiéis, conforme
a oportunidade, oram alguns momentos em silêncio. Se se
quiser, também pode ser cantado por toda a assembleia
um salmo ou outro cântico de louvor ou um hino.
43.
Para completar a oração do povo de Deus e concluir
todo o rito da Comunhão, o sacerdote diz a oração
depois daComunhão, na qual implora os frutos do mistério
celebrado. Na Missa diz-se uma só oração
depois da Comunhão, que termina com a conclusão
breve, isto é:
– se a oração se dirige ao Pai: Per Christum
Dóminum nostrum;
– se se dirige ao Pai mas no fim da oração
se menciona o Filho: Qui vivit et regnat in sáecula saeculórum;
– se se dirige ao Filho: Qui vivis et regnas in saecula
saeculórum.
O povo faz sua esta oração por meio da aclamação:
Amen.
Cântico final – Glória, Glória, Aleluia
antes da procissão, se houver.
D) Rito de conclusão
44.
O rito de conclusão consta de:
a) Notícias breves, se forem necessárias;
b) Saudação e bênção
do sacerdote, a qual, em certos dias e em ocasiões especiais,
é enriquecida e amplificada com uma oração
sobre o povo ou com outra fórmula mais solene de bênção.
c) Despedida da assembleia, feita pelo diácono
ou sacerdote;
d) Beijo no altar por parte do sacerdote e
do diácono e depois inclinação profunda
ao altar por parte do sacerdote, do diácono, e dos outros
ministros.Cântico final – Glória, Glória,
Aleluia se não houver procissão. |